Espiritualidade

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A Espiritualidade dos Arautos do Evangelho

Os Arautos do Evangelho têm sua espiritualidade alicerçada em três pontos essenciais: a Eucaristia, Maria e o Papa, como está definido nos seus estatutos:

Medalhao AE baixa“A espiritualidade tem como linhas mestras a adoração a Jesus Eucarístico, de inestimável valor na vida da Igreja para construí-la como una, santa, católica e apostólica, corpo e esposa de Cristo (EE 25, 61); a filial piedade mariana, imitando a sempre Virgem e aprendendo a contemplar n’Ela o rosto de Jesus (NMI 59); e a devoção ao Papado, fundamento visível da unidade da fé (LG 18).”

Esses pontos estão representados em destaque no brasão que os distingue.

O trato íntimo com Jesus Eucarístico

2014_08_19-5DLS3887A intimidade com Jesus Eucarístico é fundamental. Cada arauto procura estar diante do Santíssimo Sacramento todo o tempo possível em oração, com os ouvidos atentos à voz de Cristo, à maneira de Santa Maria Madalena, em Betânia.

O fundador dos Arautos, Mons. João Scognamiglio Clá Dias, ressalta sempre o incalculável valor deste sagrado convívio com o Senhor. Pois, assim como o corpo do homem se revigora haurindo energias pelos raios do Sol, opera analogamente o Santíssimo Sacramento ao ser contemplado exposto no ostensório: faz penetrar sua divina luz, tornando o homem reluzente diante de Deus e de seus semelhantes. Os frutos da Eucaristia são ainda maiores quando consideramos a efetiva participação na Santa Missa e no divino Banquete.

É no convívio eucarístico e no trato íntimo com o Divino Mestre que se encontra a fonte da vida de cada arauto como filho de Deus, e dessa experiência emana o próprio carisma do qual ele participa. Assim, é na convergência com Cristo, por Cristo e em Cristo que se realiza o sublime ideal de beleza e perfeição proposto pelo fundador, sob a inspiração do Espírito Santo.

Como consequência, desprende-se a profunda união entre a forma vitæ dos Arautos do Evangelho, caracterizada pela procura da beleza na Criação e nos atos humanos, e seu desejo de perfeição no seguimento de Cristo. Porque a beleza verdadeira, para os Arautos, consiste em ser como Nosso Senhor, em transformar-se n’Ele. Em suma, no carisma deste Movimento, a via pulchritudinis conflui no próprio caminho da Sequela Christi.

A devoção mariana na vida dos Arautos do Evangelho

2015_07_05__LS_50138Desde seus albores, tomou esse Movimento como base de sua mariologia a doutrina exposta por São Luís Maria Grignion de Montfort, teólogo e pregador da Bretanha, França. Esta devoção, baseada num modo eficaz de seguir Cristo e de conformar-se com seu modo de ser, proporciona um caminho “fácil, curto, perfeito e seguro para chegar à união com Nosso Senhor. […] Maria é chamada por Santo Agostinho forma Dei, quer dizer, molde de Deus, e quem é lançado nesse molde divino fica logo formado e moldado em Jesus Cristo, e Jesus Cristo nele”.

Em outras palavras, a razão da piedade mariana dos Arautos do Evangelho é desenvolver uma forma mais eficaz de trilhar o caminho da imitação de Cristo. Para eles é de suma importância o papel mediador de Maria, entregue pelo próprio Redentor a toda humanidade, na pessoa de São João, como Mãe de Deus e dos homens. Por isso, a espiritualidade mariana é essencialmente cristológica.

Em seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, o santo mariano explica o papel de Cristo através de sua famosa proposta de consagração como escravos:

“Do que Jesus Cristo é para nós, deve-se concluir que não nos pertencemos a nós mesmos, como diz o Apóstolo (cf. I Cor 6, 19), mas inteiramente a Ele, como seus membros e seus escravos, comprados por Ele pelo preço de todo o seu Sangue, um preço infinitamente caro. Antes do Batismo, éramos escravos do demônio, e o Batismo nos transformou em verdadeiros escravos de Jesus Cristo, e devemos viver, trabalhar e morrer com o objetivo único de produzir frutos para o Homem Deus (cf. Rm 7, 4), glorificá-Lo em nosso corpo e fazê-Lo reinar em nossa alma, pois somos sua conquista, seu povo adquirido, sua herança”.3

São Luís esclarece também o sentido da palavra “escravo” em sua obra, que se baseia na caridade, isto é, na completa dedicação a Nosso Senhor Jesus Cristo, a escravidão de amor. Bem diferente, portanto, do conceito de escravo segundo o Direito Romano.

Aceitar voluntariamente a categoria de escravo é uma forma especial de participar da kenosis de Cristo, procurando imitá-Lo em sua submissão ao Pai. De fato, ao tomar a natureza humana, Ele “humilhou- -Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 8). Através dessa sujeição aos desígnios divinos, participamos também nós da glória pascal de Cristo, exaltado sobremaneira pelo Pai, por submeter-Se à sua vontade na “condição de escravo” (Fl 2, 7).

Essa obediência de Cristo até a morte, motivada pelo mais puro amor, é o modelo de perfeição a cuja imitação Ele nos convida (cf. Mt 5, 48). E essa dedicação é incondicional, pois se baseia no famoso preceito inspirador da vida consagrada: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois vem e segue-Me” (Mt 19, 21). Contudo, é impossível alcançar um tão alto ideal por nossas forças debilitadas pelo pecado. Por esta razão, São Luís Grignion de Montfort propõe a escravidão a Jesus por meio de sua Mãe Santíssima.

A verdadeira devoção à Santíssima Virgem, através da escravidão de amor, iluminou a existência de grandes santos e destacados personagens na vida da Igreja, entre os quais o Beato João Paulo II. E a experiência demonstra a sua grande utilidade na formação das almas.

Devotamento entranhado ao Papado

cabecario vaticanoIntimamente relacionado com a devoção à Eucaristia e a Maria, encontra-se na espiritualidade dos Arautos do Evangelho o filial e entranhado devotamento ao Doce Cristo na Terra. Essa união efetiva e afetiva com a Cátedra de Pedro se manifesta na firme disposição de submissa e reverente obediência à autoridade do Papa, acatando com filial obséquio da inteligência todos os seus ensinamentos, mesmo os do Magistério ordinário.

Foi essa veneração pela pessoa do Sumo Pontífice que levou o fundador dos Arautos do Evangelho a pedir a aprovação pontifícia dessa Instituição, para vincular-se plenamente à Santa Sé. Assim agiu inspirado no ensinamento do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: “Minha segurança vem do fato de que minha doutrina é a doutrina da Santa Sé. Porque, se há uma coisa da qual estou seguro, no mundo, é a vinculação efetiva, indestrutível, entre Nosso Senhor, Nossa Senhora e a Santa Sé Católica Apostólica Romana. E quem diz Santa Sé diz, sobretudo, o Papa”.

Poucos anos antes, afirmara ele: “Nós somos filhos da Igreja. Nós somos fiéis à Igreja. Nós somos expressão da Igreja. Nossas ideias não são um capricho. Nossa orientação não é um ato de preferência arbitrária e pessoal. Nós somos os escravos da Igreja Católica, que seguimos a Igreja no que ela quer, no que ela ensina e ensinou e que aí está, apesar de toda a fuligem das épocas, para nos dar a entender como devemos ser. Nós conseguimos ser como somos, por sermos filhos dela, porque a graça dela tocou em nós, porque nós somos pequenos membros e pequenas fagulhas dela”.

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