Igreja Católica e Arautos do Evangelho, No sulco fecundo e bimilenar da Cidade Eterna – (post 2 de 3)

— No sulco fecundo e bimilenar da Cidade Eterna —


Com o tempo essas impressões não só se confirmaram, como também levaram as autoridades a adotar posturas concretas de reconhecimento do carisma, como por exemplo a concessão de uma histórica igreja do vicariato romano: San Benedetto in Piscinula, erigida no lugar onde o patriarca do monaquismo ocidental se hospedou durante o período de sua estadia na urbe.

Sobre esse significativo gesto, Mons. Adriano Paccanelli, Cerimoniário da Basílica de Santa Maria Maior, adjunto de primeira classe da Secretaria de Estado, comenta: “Pela primeira vez, a Igreja de Roma, Diocese do Santo Padre, confia um lugar sagrado e a atividade pastoral aí desenvolvida a uma associação privada de leigos. […] Por um desígnio da Divina Providência, iluminados pela presença materna de Maria Santíssima, os Arautos do Evangelho fazem agora parte integrante da vida e da história da Igreja de Roma, inserindo-se no sulco fecundo do bimilenário caminho da Igreja Católica que, na Cidade Eterna, Sede do Sucessor do Apóstolo Pedro, encontra seu centro de unidade e de irradiação da fé”.

O texto do acordo assinado pelo Cardeal Camillo Ruini, à época Vigário-Geral de Sua Santidade para a Diocese de Roma, reflete bem esse vínculo de confiança: “A presença da Associação em San Benedetto in Piscinula constitui um enriquecimento à Diocese de Roma. Portanto, o Ordinário dispõe que a Igreja de San Benedetto in Piscinula seja pastoralmente ligada às atividades da Associação Arautos do Evangelho, cujos membros exprimem a própria identidade cristã com o testemunho de vida, com atenção posta especialmente no apostolado, e vivendo a própria consagração batismal, por meio de Maria, segundo a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort”.

 

O texto do acordo assinado pelo Cardeal Camillo Ruini, à época Vigário-Geral de Sua Santidade para a Diocese de Roma, reflete bem esse vínculo de confiança: “A presença da Associação em San Benedetto in Piscinula constitui um enriquecimento à Diocese de Roma. Portanto, o Ordinário dispõe que a Igreja de San Benedetto in Piscinula seja pastoralmente ligada às atividades da Associação Arautos do Evangelho, cujos membros exprimem a própria identidade cristã com o testemunho de vida, com atenção posta especialmente no apostolado, e vivendo a própria consagração batismal, por meio de Maria, segundo a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort”.

Cerimoniário pontifício de cinco Papas

O trabalho pastoral em San Bendetto deu ensejo para os Arautos serem acompanhados muito de perto por uma figura de inestimável valia: seu reitor, Mons. Angelo Di Pasquale.

 

Este sacerdote, cuja vida foi empregada em serviços de alto gabarito na Secretaria de Estado, além do encargo de cerimoniário pontifício por quarenta e dois anos, deu à instituição uma orientação segura ditada pela voz da experiência, que apenas por poucos poderia ser superada.

A proximidade com ele fez os Arautos se sentirem ainda mais vinculados com Roma, pois o fato de um auxiliar pessoal de Pio XII, Paulo VI, João XXIII, João Paulo I e João Paulo II seguir com vivo interesse a nova Associação foi um elo, sem dúvida, com a mais sólida das tradições. O contato diário com os Arautos em Roma e as diversas viagens de Mons. Di Pasquale ao Brasil o fizeram estabelecer um vínculo de respeitoso afeto com o fundador dos Arautos, sobre o qual chegou a afirmar: “Veio um homem enviado por Deus, chamado João, que trouxe à Igreja e favoreceu na Igreja o desenvolvimento desse carisma que distingue os Arautos do Evangelho e todos aqueles que participam de sua espiritualidade. E tive a oportunidade de conhecer dito carisma de perto, já com a sua presença na Igreja de San Benedetto in Piscinula, da qual sou reitor, e recentemente visitando diversas casas do setor masculino e feminino no Brasil e na Espanha. Uma espiritualidade verdadeiramente própria, com a vida contemplativa, que não quer dizer não fazer nada, mas adorar o Senhor, falar com Ele e escutá-Lo; e que se manifesta no amor e dedicação ao próximo. E os Arautos tiveram esse grande desenvolvimento porque souberam unir a vida ativa à vida contemplativa, na vida comunitária que os faz sentir todos irmãos e irmãs, filhos do mesmo pai”.

Florescem duas Sociedades de Vida Apostólica

Inesgotável em seus dons, o Divino Espírito Santo fez desabrochar no seio desta Associação laical vocações para o sacerdócio, inspirando dezenas de seus membros a se consagrarem a esse ministério para o serviço da Igreja. O crescimento da instituição tornou clara a necessidade deste novo ramo: o elevado número de membros e colaboradores não podia receber nenhuma assistência sacramental por parte dos consagrados, formando-se assim uma lacuna de padres animados pelo carisma.

Em inesquecível cerimônia realizada a 15 de junho de 2005 na Basílica de Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo, os quinze primeiros presbíteros Arautos receberam a unção sacerdotal das mãos de Dom Lucio Angelo Renna, OCarm. Era o desabrochar de uma frondosa árvore que hoje conta com 159 sacerdotes e 28 diáconos dedicados ao serviço do altar e à salvação das almas.

As graças concedidas desde então pela Providência e o ingresso de grande número de vocações não tardaram a chamar a atenção de Sua Santidade Bento XVI. Em Luz do mundo, o livro-entrevista publicado em coautoria com Peter Seewald, ele declarou: “Vê-se que o Cristianismo, neste momento, também está desenvolvendo uma criatividade totalmente nova. No Brasil, por exemplo, de um lado se registra um forte crescimento das seitas, com frequência muito equivocadas, por prometerem essencialmente riqueza e sucesso exterior; por outro lado, se presencia também grandes renascimentos católicos, um dinâmico florescer de novos movimentos como, por exemplo, os Arautos do Evangelho, jovens cheios de entusiasmo por terem reconhecido em Cristo o Filho de Deus, e desejosos de anunciá-Lo ao mundo”.

Nas jovens comunidades tornaram-se cada vez mais vivas estas disposições, surgindo entre os seus membros o desejo de uma entrega completa, pautada pela prática dos conselhos evangélicos. Para isso um novo enquadramento jurídico fazia-se necessário, uma vez que a estrutura vigente, concebida para leigos, estava largamente superada.

Assim nasceu a Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli, a partir do ramo sacerdotal dos Arautos, seguida pela Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum, constituída por sua vez pelos elementos mais dinâmicos do ramo feminino. Ambas as sociedades tiveram seus estatutos reconhecidos de modo definitivo pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica em 3 de fevereiro de 2010, sob os auspícios do Cardeal Prefeito, Franc Rodé.

Convencido de estar colaborando com uma obra providencial, declarou ele no dia da entrega dos decretos: “Pelo que me foi dado fazer pelos Arautos do Evangelho, posso dizer que não foi inútil a minha passagem por este dicastério”.


Post Anterior:

Igreja Católica e Arautos do Evangelho, vínculo de unidade e confiança – (post 1 de 3)

 

Deixe um comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s