Igreja Católica e Arautos do Evangelho, vínculo de unidade e confiança – (post 1 de 3)

— Vínculo de unidade e confiança—


Escolhido para proclamar a Boa-Nova entre os gentios, o Apóstolo Paulo foi preparado de maneira direta pela Providência para o cumprimento de uma alta missão. À sua adesão incondicional a Cristo com a graça da conversão seguiu-se um período de intenso convívio com Ele, que se estendeu por três anos (cf. Gal 1, 17), ao longo dos quais assimilou com vantagem sobre os outros Doze os ensinamentos, o espírito e a doutrina de Nosso Senhor, para depois operar obras maiores que as deles (cf. I Cor 15, 10).

Esta eleição gratuita fez de São Paulo um varão apto ao bom combate, constituído em autoridade para pregar por todo o mundo. E porque Deus agia nele com grande poder, a graça levou-o a lançar-se com intrepidez no anúncio da Palavra a ponto de dizer: “Ai de mim se eu não evangelizar!” (I Cor 9, 16).

Entretanto, ainda que luzes sobrenaturais o acompanhassem constantemente, oferecendo todos os meios para a fecundidade de suas obras, a presença ativa do Apóstolo na comunidade eclesial não o dispensou de um importante gesto de submissão, a obediência a Pedro, chefe da Santa Igreja: “Três anos depois subi a Jerusalém para conhecer Cefas, e fiquei com ele quinze dias” (Gal 1, 18).

Sabemos que este encontro precedeu a intensa, ardorosa e incessante atuação missionária paulina, a qual sempre estaria unida à pessoa e às orientações do Sumo Pontífice. E assim o Apóstolo, cuja conduta ainda hoje inspira os homens justos, tornou-se um paradigma para aqueles que recebem algum carisma do Espírito Santo e devem unir-se à autoridade legítima, a qual é constituída e sustentada pelo próprio Deus (cf. Rm 13, 1).

“Sede mensageiros do Evangelho”

Quando uma nova instituição nasce na Santa Igreja a partir das graças concedidas ao fundador, este deve se apresentar aos sucessores dos Apóstolos para que o confirmem em sua missão. O fato de colocar-se sob a égide dos pastores sempre constitui um indício da autenticidade do carisma, pois o espírito de comunhão eclesial é uma constante nas obras suscitadas pelo Divino Paráclito.

Com os Arautos do Evangelho este percurso teve início em 1998, quando Mons. João Scognamiglio Clá Dias recebeu aprovação diocesana para sua nascente obra, concedida por Dom Emílio Pignoli, então Bispo de Campo Limpo, na Grande São Paulo.

Favorecida pela Providência, esta semente não tardou a germinar e a estender os seus ramos, ultrapassando os limites diocesanos para alcançar numerosos países. Diante da necessidade de acolher as diversas casas de Arautos sob uma mesma realidade jurídica, a Santa Sé decidiu erigi-los em Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício em data muito simbólica: 22 de fevereiro de 2001, festa da Cátedra de Pedro.

Arautos do Evangelho em Roma – Aprovação Pontifícia

Na manhã do dia 28 do mesmo mês, São João Paulo II os acolheu com palavras que ainda hoje permanecem vivas na memória e no coração de quantos tiveram a alegria de ouvi-lo: “Sede mensageiros do Evangelho pela intercessão do Coração Imaculado de Maria”.

Este primeiro aval pontifício não foi, entretanto, isento de um cuidadoso acompanhamento por parte dos que o concederam. O sacerdote orionita Giovanni D’Ercole, à época capo ufficio da Secretaria de Estado e hoje Bispo de Ascoli Picceno, percorreu diversos países para conhecer e acompanhar de perto o desenvolvimento dos Arautos.

Atenta análise Dom Giovanni D’Ercole

Retornando a Roma, transmitiu em seguida as observações ao fundador: “Escrevo-lhe estas linhas para lhe confiar mais alguns comentários sobre minha visita às casas dos Arautos do Evangelho nas três Américas. A perspectiva trazida pelo transcorrer dos dias vem me dando a chance de melhor avaliar alguns pontos, que tenho procurado aprofundar. Era um dos objetivos de minha viagem analisar bem de perto as diversas realidades dos Arautos do Evangelho, a fim de, se necessário fosse, dar-lhes conselhos e orientações. Por isso, apliquei minha atenção em tudo com particular empenho. […]

“Já tive oportunidade de lhe dizer em São Paulo que fiz diversas observações e procurei aconselhar a respeito de alguns assuntos, deixando uns poucos pontos para estudar melhor no futuro. […] Quero deixar também registrado que encontrei no senhor, e em geral em todos os encarregados com os quais conversei, aí e nos outros países, uma ótima disposição para aceitar minhas ponderações. Além disso, pude comprovar a vitalidade e força de expansão dessa obra a qual, em tão pouco tempo, vai se estendendo célere pelo mundo inteiro. Queira Deus que ela continue a trilhar esse caminho, e se multiplique a ponto de atingir todos os rincões do globo. […]

“Agradou-me observar, durante os dias em que estivemos juntos, a modéstia com a qual o senhor age em tudo, nunca procurando chamar a atenção sobre si mesmo. E isto me fez concluir ser esta uma das fontes das quais nascem as orientações prudentes e sapienciais para os Arautos do Evangelho no mundo inteiro”.


Continua no próximo Post:

Igreja Católica e Arautos do Evangelho,

No sulco fecundo e bimilenar da Cidade Eterna


 

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